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sábado, 22 de outubro de 2016

O Que é Hipoplasia cerebelar em gatos?


Antes de explicar que doença é essa, preciso contar como cheguei a essa pergunta. Em abril de 2015, minha irmã chegou em casa com um gatinho que pegou na rua, em Parada de Lucas. A mãe dele tinha acabado de morrer atropelada, e ele estava perto do corpo dela, abandonado, correndo o risco de ter o mesmo fim. Ela o pegou para que ele não tivesse o mesmo fim. A chegada dele não foi bem vista, pois ela já tinha pegado uma gata que ainda não tinha castrado e eu tinha adotado um filhote há 4 dias! Mais no fim todos se deram bem e conviveram sem problemas, pareciam irmãos. Com o passar do tempo, percebemos que o Nóia era diferente: Não conseguia subir sozinho no sofá ou nas cadeiras, tinha dificuldade de caminhar em linha reta, hesitava antes de qualquer movimento e apresentava um tremor estranho, parecia que tinha Alzheimer. Mais ele era um gatinho de menos de um ano! Se você estivesse com ele no colo e pusesse no chão, ele caia de qualquer jeito, tinha que deitar para recuperar o equilíbrio. Com a crise econômica, não tinha dinheiro para levá-lo ao veterinário e investigar isso. Concentrei meus esforços em castrá-lo, alimentá-lo e dar remédio contra vermes, cuidados mais básicos. Na consulta pré-castração, ele estava calmo e bem e eu precisava castrá-lo logo. Nada de anormal foi detectado.

 

Quando Nóia tinha cerca de 8 meses, apareceu um carocinho na patinha dele, que depois virou uma bolha, e em seguida, uma feridinha. Essa feridinha abria, fechava, depois abria de novo continuamente. Isso era esporotricose, doença que eu vou explicar o que é num outro post. Quando busquei o tratamento da esporotricose no Hospital Municipal Jorge Vaistmann, pensei que descobriria enfim o que Nóia tinha por ser um hospital de referência, ligado a vigilância sanitária do município. Mais a médica disse não saber que doença seria, após descartar epilepsia, nos tranquilizou dizendo que provavelmente não era nada grave, já que fora a esporo, ele estava bem.

Voltando a doença

Hipoplasia cerebelar é uma doença neurológica felina na qual os filhotes nascem com o cerebelo, a parte do cérebro que controla o equilíbrio, os músculos e a coordenação, subdesenvolvido. É uma doença permanente e sem cura, em que trata-se dos sintomas. Geralmente não oferece risco de morte ao animal. A gravidade vai de muito leve a extrema.
Os gatos portadores têm problemas de equilíbrio e de controle muscular, o que afetam suas habilidades de andar, correr e pular. O gatinho apresenta irregularidade na coordenação motora (ataxia), desorientação, tremores de intenção e cabeça inclinada para um dos lados.
Alguns animais têm um comprometimento severo de sua qualidade de vida, necessitando de acompanhamento especializado, sessões de acupuntura e fisioterapia. Mais na maioria dos casos, o animal tem uma vida normal, precisando apenas que seus donos tenham um pouco mais de atenção na escolha do local de alimentação e da higiene, além de estimular com brincadeiras a atividade física do animal, para que ele se mantenha ativo e em forma. Por conta disso, o Nóia tem uma vida normal, pois brinca muito, seja sozinho ou com os outros gatos. Aqui em casa tem escada e isso também ajuda ele a se exercitar.

 Como foi que eu cheguei a essa informação?


Se você pensou Google, acertou. No dia em que voltei com ele do médico, fiz a pesquisa usando casa um dos sintomas e fui lendo link por link. Além de descobrir o nome da doença e os sintomas, e como lidar com ela, descobri também como é que se pega. A hiperplasia cerebelar é um desdobramento da panleucopenia felina, uma doença viral gastroentestinal contagiosa. No caso do Nóia, a mãe dele teve essa doença durante a gestação, o que afetou o desenvolvimento do cérebro dele. Além da transmissão uterina, o gatinho pode pegá-la em qualquer fase da vida dele. E o melhor meio de evitar a doença é manter os animais longe da rua e, principalmente, vacinar o animal. Para mais informações sobre a doença, é só ir aqui.
É indispensável que gatos com hipoplasia cerebelar recebam um diagnóstico o quanto antes. Diante desses sintomas, muitos gatos foram abandonados e mortos porque as pessoas acham que a doença eram mais séria e contagiosa. E pelo que eu mesmo pude ver, há um desconhecimento por parte dos veterinários. Mesmo assim, é importante  procurar um veterinário para uma orientação mais precisa.
Cuidar de gatos com hipoplasia cerebelar requer mesmo é carinho e donos conscientes podem ajudá-los a ter uma vida longa e saudável.