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domingo, 11 de março de 2012

A Invenção de Hugo Cabret X O artista: qual é o melhor?


Nos últimos anos, tenho procurado ver no cinema os principais indicados para ganhar o Oscar de melhor filme do ano. Em 2012, diante dos prêmios amealhados em outros festivais de cinema mundo a fora, das críticas superlativas e da quantidade de indicações a prêmio na Academia Cinematográfica de Hollywood, responsável pelo Oscar, A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorcese e O Artista, de Michel Hazanavicius tornaram-se algumas de minhas escolhas para ida ao cinema nesse começo de ano. Vi também A Dama de Ferro, apenas para conferir o trabalho de Maryl Streep.
A respeito de Hugo, li diversas críticas elogiosas a cerca do feito de Scorcese de fazer um filme que, embora aparentemente calçado em uma aventura infantil do universo,  emocionasse a todas as idades. A fotografia, o figurino e a Paris do início do século passado me atraiam, tornavam-me atenta expectadora da película.
Já em O Artista, o que pesava era o desafio de ver na telona um filme com estética dos anos 30 - que sempre exerceram boa impressão em minha imaginação, em preto e branco e mudo! Nossa, como seria essa experiência?
Vi Hugo na segunda de carnaval e O Artista ontem à noite. E entre um e outro, vi Hugo ganhar os prêmios de ordem técnica e O Artista levar os principais prêmios: filme, diretor, ator principal, além de figurino.
Só que nem sempre quem leva o Oscar é o de nossa escolha. Que o diga o filme Rio que perdeu prêmio de melhor canção para a música horrorosa do filme dos Muppets. Vai saber...
Foi o que constatei ao assistir a O Artista. Com uma fotografia linda, e com Jean Dujardin praticamente encarnando Gene Kelly e Clark Gable ao mesmo tempo, o filme é muito bem feito. O cachorrinho e a artista em ascensão interpretada por Bérénice Bejo também tem seu valor. E para mim, pára por aí. Achei que no meio o filme ficou meio arrastado, a música chatinha, me deu até sono - confesso que cheguei a cochilar. E não tinha nada de taão emocionante na trama. Já em Hugo a emoção é a tônica do enredo, com as idas e vindas na vida do menino, garantida do começo ao final. Se tivesse que escolher qual premiar, seria Hugo, que já escolhi para rever.
No prêmio desse ano fica como pano de fundo as duas produções que revisitam o cinema do começo do século passado, em O Artista e os primórdios do fazer cinematográfico e o o resgate da vida e obra de Georges Méliès em Hugo. E que venham mais filmes legais em 2012.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Redescobrindo Botafogo


Sabe quando você vai fazer uma coisa simples, tipo ir comprar pão na
padaria, e por se aventurar num trajeto diferente, tem uma nova impressão sobre
um lugar tido como bem conhecido? Foi o que me aconteceu essa manhã ao ir
deixar um documento na pacata rua Bambina, em Botafogo.

Explico: Botafogo é um lugar que eu frequento desde minha adolescência,
primeiro para passear, ir ao cinema ou ao shopping e depois por conta da
faculdade e dos amigos que encontrava por lá e por fim, para trabalhar. Só que
eu conhecia o lado mais tradicional de lá, as duas ruas principais que cortam o
bairro, a parte mais próxima do Humaitá e recentemente, na área próxima a
Furnas e ao cemitério São João Batista, por conta das minhas idas ao médico.

Ao caminhar pela Bambina mais cedo, fiquei imaginado que esse bairro é
um retrato de como ocorreu a ocupação local, como também de outros bairros do
Rio. O Bairro era cheio de chácaras de famílias abastadas no início do século
XIX, a parte mais próxima da praia naquela época.

Com a expansão da cidade rumo a zona sul, aos poucos as famílias foram
escolhendo morar em bairros mais ao sul, como Copacabana, Ipanema e Leblon. O
transporte público se popularizou e o bairro ficou com a fama de 'bairro de
passagem'.

Só que muitos casarões que testemunharam aquela época continuam por lá,
lindos, e disponíveis para nos ajudar a viajar no tempo. Atualmente, você vê
uma fusão, em que casarões antigos ainda habitados, ladeados por diversos
condomínios novos com suas fachadas envidraçadas. Há muuitas clínicas, centros
de imagens e pequenos hospitais na rua Bambina e seus arredores. Você vê muitos
casarões e prédios antigos aproveitados nessa função.

Mas alguns pontos me chamaram atenção:

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A fachada da 10ª DP que mais parece uma daquelas
escolas antigas e seu balcão lembra o de uma mercearia. Ah, a rua tem duas
mercearias à moda antiga, bem fofinhas.
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A casa em
que nasceu Fernando Henrique Cardoso está lá, de pé graças as raízes de uma
árvore que cresceu na sua fachada.
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A profusão de vilas. Muitas vilas, bonitas,
humildes, mal cuidadas, velhas ou modernas. Deu até vontade de conta quantas
tem ali naquele pedacinho do bairro.
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O silêncio, o raro e apreciado silêncio. Ele traz
um bucolismo inesperado a um bairro agitado e com transporte barulhento e abundante
como Botafogo. Dá a impressão que você está fora do Rio de Janeiro.